TUDOPROSA

Crônicas, ensaios, contos, crítica literária, música… Tudo com um dedo de prosa. Porque “a vida inventa! A gente principia as coisas no não saber por quê… a vida é mutirão de todos, por todos remexida e temperada”. (Guimarães Rosa)

12/2/09

CANÇÃO DO ALBATROZ - GORKI

 

Sobre a superfície cinzenta do mar, o vento reúne pesadas nuvens.
Semelhante a um raio negro, entre as nuvens e o mar, paira orgulhoso o albatroz, mensageiro da tempestade.
Ora são as asas tocando as ondas, ora é uma flecha rasgando as nuvens, ele grita.
E as nuvens escutam a alegria no ousado grito do pássaro.
Nesse grito - sede de tempestade!
Nesse grito - as nuvens escutam a fúria, a chama da paixão, a confiança da Vitória.
As gaivotas gemem diante da tempestade, gemem e lançam-se ao mar para lá no fundo esconderem o pavor da tempestade.
E os mergulhões também gemem. A eles, mergulhões, é inacessível a delícia da luta pela vida: o barulho do trovão os amedronta…
O tolo pingüim, timidamente esconde seu corpo obeso entre as rochas…
Apenas o orgulhoso albatroz voa, ousado e livre sobre a espuma cinzenta do mar.
Tonitroa o trovão.
As ondas gemem na espuma da fúria e discutem com o vento.
Eis que o vento abraça uma porção de ondas com força e as lança com uma maldade selvagem nas rochas, espalhando-as como poeira, respingando como uma noite de esmeraldas.
O albatroz paira a gritar como um raio negro, rompendo as nuvens como uma flecha, levantando espuma com suas asas.
Ei-lo voando rápido como um demônio, um orgulhoso e negro demônio da tempestade.
Ri das nuvens, soluça de alegria!
Ele - sensível demônio - há muito vem escutando cansaço na fúria do trovão.
Tem certeza de que as nuvens não escondem, não, não escondem…
Uiva o vento… Ribomba o trovão…
Sobre o abismo do mar, nuvens pesadas brilham como centelhas. O mar pega as flechas de relâmpagos e as apaga em sua voragem. Parecem cobras de fogo!
Os reflexos desses raios rastejam sobre o mar e vão desaparecendo.
- Tempestade!
Breve rebentará a tempestade!
Esse corajoso albatroz paira altivo entre os raios e, então, sobre o mar que furiosamente urra, ele grita a profecia da Vitória: VENHA! QUE MAIS FORTE ARREBENTE A TEMPESTADE!

criado por sydowmonica    15:24 — Arquivado em: POESIA — Tags:, ,
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